"A técnica Raku não é algo que deva ser simplesmente imitado e repetido.
A tradição transmite o conhecimento ancestral que é modificado
com a interpretação do mundo de cada nova geração e do que
apreendemos a partir da própria pesquisa em poéticas visuais."
Ana Flores (UFRGS)
Uma tarde fria de outono, mas de muito sol, inundou o Olívia Restaurante na última sexta-feira para mais uma edição do Café & Brioche com Sabor de Saber.
Com muito esmero, o chef Henrique Benedetti e sua equipe surpreenderam os convidados mais um vez, com deliciosos quitutes e um ambiente delicadamente decorado unindo as peças da artista Lilia Abreu, convidada da tarde, e o cenário peculiar do Olivia.
A artista, formada em Comunicação Visual com especialização em cerâmica, desenvolveu o tema "Raku - arte e fogo revelando surpresas". Além de expor sua trajetória profissional e artística, revelou-nos a história e o segredo desta técnica milenar de queima das peças em cerâmica: o Raku.
Um pouco de história:
O Raku -técnica japonesa de queima cerâmica- era utilizado inicialmente nas peças da cerimônia do chá, praticada desde o século XII. No entanto os potes Raku remontam ao final do século XVI, em Kioto, quando o mestre do chá Sem-no-Rikyû (1522-1591) pediu ao ceramista Chôjirô (falecido em 1589) que fizesse tigelas de chá para achanoyu (cerimônia do chá japonesa).
Rikyû foi o mais famoso mestre de chá do seu tempo e vivenciava a cerimônia do chá com uma profunda dimensão espiritual. As tigelas de chá com vidrado negro e vermelho com queima Raku confeccionadas por Chôjirô, primeira geração da dinastia Raku, no início dos anos de 1580 seguiam os preceitos da estética de Rikyû e continham sua idealização de austeridade, do inacabado e do significado não explícito.
No Japão, a tradição Raku tem sido passada de pai para filho há 400 anos, sem nenhuma instrução escrita. Cada geração tem que reinventar seu próprio trabalho. A inovação é a verdadeira tradição da dinastia Raku.
No Japão, as peças Raku são consideradas parte do Tesouro Nacional e têm valor incalculável.
No Ocidente, a técnica Raku consiste em queimar peças vidradas até cerca de 980ºC quando então são retiradas do forno ainda incandescentes e colocadas dentro de uma câmara de redução. No Japão as peças são retiradas do forno e resfriam ao ar livre.
Fonte:http://www.ufrgs.br/lacad/patioraku.html
Lilia Abreu trabalha com Raku há quase 15 anos. Em Poços de Caldas montou seu Ateliê Argila Mãe e vem desenvolvendo peças de decoração de interiores, jardim, colares, e utilitários. Saiba mais em postagem deste blog aqui.
Além de conhecermos a história desta técnica milenar, pudemos ver de perto a produção da artista, que expôs seu trabalho durante o encontro.
Em seu ateliê -Argila Mãe- em Poços de Cladas, MG, Lilia produz, expõe e vende suas peças. É possível fazer encomendas de peças personalizadas, idealizadas para as necessidades de cada um como o porta-guardanapo abaixo.
Detalhe dos botões que viraram porta-guardanapos especialmente para esta edição do Café & Brioche |
Com todo o cuidado e originalidade, as embalagens são feitas de origami, desenvolvidas por Clara H. T. Keusseyan para cada tipo de peça.
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Janete Galante ladeada por Lilia e seu assistente Rodolfo do Prado |
Em junho teremos um tema mais filosófico para fechar o semestre. O Prof. Benedito Santos volta ao Café & Brioche para falar de "Liberdade a partir de Jean Paul Sartre". E o chef Benedetti tem planos para uma mesa que inclui delícias juninas. Certamente um programa imperdível.
GUIA:
Argila Mãe - https://www.facebook.com/argilamae
email: argilamae@gamail.com
Café & Brioche com Sabor de Saber - toda segunda sexta feira do mês
Restaurante Olivia Sabores e Eventos
Av. João Pinheiro, 1135 - Centro - Poços de Caldas, MG
Programa Noite.com - TV Poços canal 22 ou pela internet
Com carinho,
Angela Caruso
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